Mudar de faculdade no meio do curso

A escolha da faculdade de Direito

Quando decidi que estudaria Direito, a maioria das faculdades da minha cidade já haviam encerrado suas inscrições para o vestibular com exceção de uma que até mantinha boa reputação no mercado. Tentei o vestibular e tive a felicidade de passar!

A faculdade contava com ótimos professores, ótimos colegas, mas tinha algumas práticas que eu não concordava. Uma delas era de exigir pagamento para analisar a dispensa de disciplinas. Como eu possuía um diploma de Comunicação, muitas disciplinas poderiam ser dispensadas, mas tive que deixar metade do meu salário daquela época com eles para essa análise. Hoje essa prática foi proibida. Na época, só me restou aceitar.

Outra coisa que eu não gostava é que alguns professores não tiravam as dúvidas dos alunos. Não eram todos, claro, mas um bom número ainda vivia certo estrelismo que não fazia sentido para mim. Além disso, uma parte considerável parecia gostar de bombar alunos. Oi? Sem muita identificação com aquele sistema, achei melhor mudar de instituição.

Trocar de faculdade no meio do curso – Burocracia

Eu estava no terceiro período. E mudei de uma faculdade particular para outra particular.

Para ingressar em outra faculdade, você pode seguir dois caminhos: pode fazer o processo de transferência ou um segundo vestibular. Há ainda a possibilidade, se for seu segundo diploma, de pedir obtenção de novo título na faculdade do primeiro diploma. Eu fiz um segundo vestibular porque me pareceu a forma mais simples de ingressar. Uma amiga, que estava na mesma situação, pediu transferência, teve alguns trâmites burocráticos mais chatos, mas conseguiu da mesma forma!

Depois de passar no vestibular para a nova faculdade, eliminei as matérias que já havia feito na primeira. Como nesta outra tinha muito mais aulas de filosofia que na antiga, tive que fazer uns arranjos e requisitar uma avaliação do meu currículo pela diretoria para ver se não poderia excluir mais matérias mesmo as que não tinham o nome igual da grade nova.  Expliquei as correlações e para algumas consegui a dispensa!

Mudar de faculdade no início do curso (até o terceiro ou quarto períodos) pode ser vantajoso se você está realmente insatisfeito com a primeira faculdade. Eu fiz o curso de Direito em cinco anos e meio por conta desses arranjos, mas não me arrependo nenhum segundo da escolha.

Porém, alguns amigos da antiga faculdade, quando atingiram o sexto ou sétimo períodos vieram me procurar para saber se valeria a pena a mudança da faculdade. A minha resposta era meio autoajuda: Sempre vale a pena mudar se você não está satisfeito, mas esteja preparado para o preço disso.  Mudar de faculdade quando o curso já está avançado significa ter que lidar com uma série de pré-requisitos de matérias que não existiam na grade da antiga faculdade. Sendo a minha segunda faculdade muito voltada para a Filosofia do Direito e a primeira não, a pessoa que mudasse para lá certamente teria que fazer matérias iniciais do curso e atrasaria ainda mais a formatura. Esse era o preço. Algumas pessoas ainda assim decidiam mudar. Outras abandonaram o curso, o que achei muito doloroso e uma energia perdida. E outras optaram por continuar na faculdade antiga e fazer de tudo para serem felizes lá.

Perguntas essenciais para quem vai mudar de faculdade

Penso que além de verificar a grade do curso e as equivalências, a pessoa que muda de faculdade deve ter em mente o porquê desta decisão:

1)     É para uma comodidade (proximidade de casa, mais amigos na outra faculdade, menor preço)? As comodidades são legítimas, mas procure ter certeza de que não existirá nenhum incômodo ainda pior que na primeira faculdade que anule essas vantagens.

2)     É por uma questão de ensino (pedagogia que se adequa melhor ao seu perfil, grade mais interessante, melhores professores)? Também é mais que legítimo, mas de novo, procure entender o todo e não somente o ponto que te interessa.

3)     Ou é por raiva da faculdade antiga ? Neste caso, é importante saber por que isso aconteceu e ver quais são as chances de acontecer de novo na próxima opção. Algumas irritações fazem parte de toda relação faculdade/aluno, já vou avisando !

Ainda tem um último argumento que é das pessoas que mudam de faculdade, mas que na verdade gostariam de mudar de curso ou de vida. Algumas pessoas simplesmente não gostam de estudar Direito, não gostam da discussão sobre o assunto, das perspectivas profissionais, do ambiente etc etc. Tudo isso é possível e não é errado não querer fazer Direito. Mas pode ser prejudicial para você, para o seu tempo e seu entusiasmo prolongar essa dúvida por muito tempo. Espero que não seja o seu caso, leitor! Mas se for, lembre-se do meu conselho autoajuda : sempre vale a pena mudar se você não está satisfeito, mas esteja pronto para pagar o preço disso.

Sobre o autor

Diorela Kelles

Brasileira, mineira, advogada, ex-professora de adolescentes, defensora dos animais. Comunicóloga nas horas vagas.

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