O Exame da OAB da minha vida – Conheça essa história

O Exame da OAB da minha vida

Nunca vou me esquecer do dia que soube que tinha passado no exame da OAB. Eu estava dentro do carro, chegando na casa da minha avó, quando uma amiga e colega de faculdade ligou dizendo que tinha visto meu nome na lista dos aprovados. Que sensação boa! Depois de tanto esforço, conseguir uma vitória dessas… Eu comentava que meus passos, naquele dia, entre o carro e a casa da minha avó,  foram os passos mais felizes da minha vida.

Para chegar lá, no entanto, não foi nada fácil. Para mim, uma pessoa que não cresceu entre advogados, sem nenhuma familiaridade com o meio, foi uma luta.

Já relatei em outro texto que havia tentado o exame de ordem quando estava no nono período da faculdade, porém sem sucesso. Depois disso, havia tomado a decisão de me organizar melhor. Prestei atenção nas minhas falhas anteriores. Falta de concentração na hora da prova, perda de tempo em questões que não teria certeza de toda forma, dúvidas bobas em conceitos que fui esquecendo com o tempo.

Estudar sempre, nem que seja um pouquinho

Consegui uma apostila de preparação (destas bem comuns) para fazer um repasse da matéria. Alguns meses antes do dia do exame da OAB, me propus a estudar diariamente, nem que fosse por 5 minutos, só para não perder o costume.

E assim fiz. Era época de festas. Mesmo no dia 31 de dezembro, estudei, antes de dormir, um pouquinho de Constitucional. No dia do aniversário da minha mãe, mesma coisa. Fizemos um encontro de família, ajudei a arrumar a casa, mas sentei com Obrigações para reler os conceitos.

Provas, concursos e exames não medem tanto a sua inteligência, mas a sua capacidade de organizar informações. Era disso que eu precisava. Estar com a matéria limpinha na minha cabeça. Pelo menos boa parte dela, para não me confundir na prova da primeira etapa.

Passei a colar bilhetinhos pela casa inteira. Com mensagens de fácil assimilação pra minha memória. O espelho do banheiro nunca foi tão didático.

No dia da prova da primeira etapa, levei água e chocolate. Mas não parei um segundo. Nem pedi para ir ao banheiro. Usei toda a concentração para aquela prova. Quando tinha alguma dúvida, olhava para a janela, respirava fundo, pensava no quanto seria importante conseguir aquilo e seguia em frente. Senti que estava com menos dúvidas que na primeira prova, e isso, por si só, já me aliviou.

Na primeira etapa passei. Agora era tomar fôlego para preparar para a segunda (fiz o exame da OAB em 2011).

Na época, eu ainda estava no décimo período de Direito, com todas as obrigações da faculdade a serem finalizadas. Além disso, fazia um estágio puxado e tinha que coordenar também a vida privada e familiar. Nada que um brasileiro normal não experimente diariamente. Somos um povo lutador e isso é bonito, mas nada simples.

Escolhi fazer a prova da segunda etapa em Direito Civil, apesar da fama de ser a mais complicadinha. Era a experiência que eu tinha e apostei nisso.

Matriculei-me num cursinho que foi útil para aprender a grifar o CPC e o Código Civil como uma profissional. Treinei algumas peças.

Dos bilhetinhos que eu colava pela casa, lembro-me de um que estava atrás da porta. Ele dizia “não esquecer o valor da causa”. Bem ambíguo! Não esquecer da formalidade de colocar o valor da causa no final da peça inicial (se a peça pedida fosse uma inicial) e não esquecer de como passar no exame da OAB seria importante para a minha vida pessoal e profissional.

Fui para a prova! E, de novo, não parei para comer, nem para beber água. Levei minha marca de caneta preferida (devidamente testada antes) e fomos melhores amigas por algumas horas. De fato, a peça adequada para a questão da prova era uma peça inicial. E não esqueci o valor da causa.

Saí da prova satisfeita, mas muito cansada, como previsto.

No dia do resultado, no entanto, uma triste surpresa. Meu nome não estava na lista.

Foi difícil aceitar aquele soco. Mas felizmente era possível ter acesso à correção das provas. Na correção da minha prova, muitos pontos passaram despercebidos, foram desconsiderados e o valor da causa, pasmem, não havia sido contabilizado nos pontos.

Entrei com recurso. Apesar de muita gente ter oferecido para me ajudar, achei melhor eu mesma fazer. Foi o meu primeiro trabalho de advogada: defender a mim mesma!

Não tenho vergonha de dizer que passei no exame da ordem com recurso. É uma ferramenta legítima para consertar uma falha na correção da prova. Foi no dia que divulgaram o resultado do recurso que minha amiga encontrou meu nome e me ligou. Foi nesse dia que eu pude constatar que tudo, tudo, tudo tinha valido a pena!

Sobre o autor

Lucas Ávila

Advogado, professor e especialista na orientação de examinandos do Exame de Ordem e Estudantes de Direito.

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